segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Paulo Moura - Mistura e Manda (1984)



Naquele tempo o Léo dizia que iria comprar uma coletânea do The Who, e aí eu teria dois discos pra poder ouvir em casa (ou outro era o Dirty Work). Pudera, nesses tempos a trilha sonora da casa variava entre o jazzzzz e lançamentos recentes da MPB, “o novo do Caetano” (e este ‘aquele tempo’ era um tempo onde isso valia a pena), isqueiro ou fósforos de Djavan (coisa de acender), alguma coisa de rock nacional (Big Bang dos Paralamas tocou até furar) e este: Mistura e Manda.

Hoje o Léo tem uma menina linda e curte mesmo é um bom funk carioca, de tal forma que este post é dedicado a Helena, pra ela saber que o pai dela um dia já teve muito bom gosto.

Gosto mais do Chorinho que da Bossa-Nova e do que do Samba. Acho mais original e mais astral que um, e mais delicado e surpreendente que o outro. Ainda que neste caso, elementos típicos da gafieira comparecem em tempero preciso no disco, conferindo à definição “choro negro” seu exemplo perfeito.

Nascido no estopim da Revolução Constitucionalista em julho de 1932 no interior de SP (São José do Rio Preto), muda-se para o Rio em 1945 junto com a família de músicos.

Interrompi meus estudos na segunda série do "Ginásio Luiza de Castro", na Tijuca, para dedicar-me à música, com autorização de meus pais. Queria evitar a profissão de alfaiate que me fora imposta pelo José, meu irmão mais velho.” (http://www.paulomoura.com)

Clarinetista, saxofonista e maestro arranjador, Paulo Moura é sinônimo de música brasileira. Neste disco, lançado pela KUARUP (Produção Executiva e Direção Geral de Mario de Aratanha) o próprio artista assume a direção artística e a responsabilidade sobre os arranjos, tornando-o muito pessoal. O repertório é de muito bom gosto e inclui sete músicas, entre (não tão) clássicos e composições próprias:

Chorinho pra Você (Severino Araújo) / Chorinho pra Ele (Hermeto Pascoal) / Mistura e Manda (Nelson Alves) / Nunca (Lupicinio Rodrigues) / Tempos Felizes (Paulo Moura) / Caminhando (Nelson Cavaquinho e Nourival Bahia) / Ternurinha (K-Ximbinho)

Os músicos que tocaram no disco mostram um time seletíssimo (Rafael Rabello era então um menino de 22 anos...) e extremamente afinado com o projeto. Reparem que a presença de Zé da Velha no trombone e uma percussão “heavy metal” dão ar de gafieira em muitas das faixas:

Paulo Moura (clarineta); Zé da Velha (trombone); Rafael Rabello (violão de 7); Joel Nascimento (bandolim); Maurício Carrilho, César Faria e João Pedro Borges (violão); Jonas Pereira, Carlinhos do Cavaco, Mané do Cavaco (cavaquinhos); Jorginho (pandeiro); Neoci de Bonsucesso (tamtam); Joviniano (repique de mão e ganzá) e Gargalhada (caixa de fósforos).

Paulo Moura nos deixou recentemente em 2010, mas este disco acaba-lhe conferindo eternidade, graças a deus.

Que o maestro descanse em merecida paz, enquanto o redondinho vai girando incansável...

[M]

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